Aniversário de São Paulo na BSP
Programa Paralango
A comemoração do aniversário da capital paulista começou animada na Biblioteca de São Paulo. Keila Sena, Douglas Campos e William Andreos, funcionários da BSP, encenaram um programa de tevê “Paralango”. O apresentador “José Bonifácio” (William) recebeu “Cida de São Paulo”, ’458 anos’, representante da cidade aniversariante. “Sabe como é… tenho 458 anos, estou cansada… de vez em quando tenho uns espasmos… é muito trem e muito metrô em atividade. Mas estou em constante renovação. Sou agitada, não paro, não durmo! Às vezes, fico um pouco abalada, mas passa um prediozinho aqui, um viaduto ali, e aí eu fico em forma“, respondeu “Cida de São Paulo” quando o apresentador lhe perguntou como se sentia com essa idade avançada.
“José Bonifácio” entrevista “Cida de São Paulo”
Programa “Paralango” contou até com merchan (da BSP, é claro!)
Repórter do programa pergunta ao público o que acha da cidade de São Paulo
Ao final da encenação, o grupo de integrantes da BSP aproveitou para indicar alguns livros sobre a cidade, disponíveis na biblioteca: Ninguém é inocente em São Paulo (Ferréz), Metrópole e globalização: conhecendo a cidade de São Paulo (Maria Adélia Aparecida de Souza, Sonia Correia Lins, Maria do Pilar Costa Santos e Murilo da Costa Santos) e Bonde: saudoso paulistano (Fernando Portela).
Contação de histórias
Kiara Terra encantou adultos e crianças com a história “Cidades imaginárias”. Até o pessoal da equipe BSP aparecia de vez em quando para prestigiar. Kiara define suas apresentações como “processo colaborativo de construção de narrativa”. E bota colaborativo nisso. Todos participam da construção da história, adicionando novos elementos à narrativa, conforme Kiara vai abrindo espaços. Por exemplo: na história “Cidades imaginárias”, inspirada livremente na obra Obax, de André Neves, chega um momento em que a protagonista descobre uma cidade maravilhosa. Kiara falou: “E do ceú dessa cidade caía…“, e aguardou a contribuição do público. Um pequeno sócio prontamente soltou: “Chocolate quente!”.
Kiara interage com o público
Também chamou a atenção os objetos utilizados para contar a história, como o sifão de pia, que faz as vezes de luneta, de telefone ou até de tromba de elefante. Outra coisa muito bacana é que Kiara aproveita situações da história para interagir ainda mais com o público. Quando a protagonista volta para casa e conta para a sua avó a respeito da cidade que encontrou, a avó insinua que a menina está mentindo. E aí Kiara aproveita o gancho: “Quem aqui já contou uma mentira, levanta a mão! Quem aqui já contou duas mentiras, levanta a mão! Quem aqui já contou uma mentira tão boa, que acreditou na própria mentira, levanta a mão!” Todos levantaram as mãos. Aproveitando ainda o mesmo diálogo com a avó da protagnista da história, Kiara provocou: “Quem aqui tem uma avó que usa roupa florida, levanta a mão! Quem aqui tem uma avó que assiste televisão assim, meio dormindo, mas que diz que está assistindo quando você tenta desligar o aparelho, levanta a mão! Quem aqui tem uma avó que está distante, mas que mora no coração e chega até a sentir a presença dela, levanta a mão!“.
Kiara provoca a plateia: ”Quem aqui já contou uma mentira, levanta a mão! Quem aqui já contou duas mentiras, levanta a mão!
Oficina de artes
Logo depois começou na Tenda de Eventos a Oficina de Artes para Crianças, com Renata Moura. A arte-educadora iniciou a atividade falando sobre o aniversário da fundação da cidade de São Paulo e sobre o objetivo da oficina: construir um painel da metrópole. Para isso, o grupo utilizou trabalhos desenvolvidos por outras crianças em encontros anteriores: prédios, casas e pessoas. O Hospital Mandaqui e a Escola Derville, ambos localizados na zona norte, estavam entre os trabalhos. “Vocês são os pedreiros que vão erguer a cidade“, disse Renata, orientando as crianças. Para compor o painel, os participantes produziram as ruas e o céu da cidade.
Renata Moura ajuda participante no preparo da tinta
Sócio pinta rua da cidade
Crianças montam a base do painel da cidade
Participantes finalizam a oficina colando “habitantes” no painel
Cantos da pauliceia
Esse evento encerrou a programação especial de aniversário da cidade. Paulo Alan e Clayton Sanches, funcionários da BSP, revelaram aspectos de São Paulo, como o processo de urbanização e o crescimento econômico da metrópole, através das composições de Geraldo Filme, Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini e Eduardo Gudin. O animado Clayton falou sobre a discussão que existe sobre a origem do samba, disputada entre Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. A diferença temática que se percebe nas composições de cada eixo foi outra questão levantada no encontro. Um sócio, inclusive, chamou a atenção para o fato de que o “malandro” do samba paulista está sempre envolvido em questões de trabalho, como é possível perceber nas letras dos sambas interpretados na ocasião:
Meu bem eu vou me embora
não fique triste mulher de malandro não chora
Eu fiz de tudo para ser bom operário
veio a crise financeira eu perdi o meu trabalho
Vou com o Sol volto com a luz da Lua
Oh meu bem não fique triste dinheiro se ganha na rua
Mulher de Malandro – Geraldo Filme
Eu arranjei o meu dinheiro
Trabalhando o ano inteiro
Numa cerâmica
Fabricando potes
e lá no alto da Mooca
Eu comprei um lindo lote dez de frente e dez de fundos
Construí minha maloca
Me disseram que sem planta
Não se pode construir
Mas quem trabalha tudo pode conseguir
Abrigo de Vagabundos – Adoniran Barbosa
Clayton observa Paulo Alan interpretando Trem das Onze, de Adoniran Barbosa
Clayton promove discussões sobre o samba paulista e seus principais compositores
Auditório lotado e público atento
Quase 1.800 pessoas comemoraram o aniversário de São Paulo na BSP. Nenhuma ocorrência negativa foi registrada.
Parabéns!
texto por Denise Trolezi
fotos por Denise Trolezi, Genésio Manoel e Terence Yan
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